Total de visualizações de página

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Filigranas Cênicas





(Reflexões de um homem de Teatro)




-Então /vamos lá ver...
O que tenho a lhes dizer!

-O que será que seria fazer Teatro?

-Ah! Fazer Teatro/pra mim/ é a arte de rebordar/
No palco/lindos momentos da vida/ despercebidos/
Que nem a própria vida /por isso ou aquilo/
Não se importou ou não se apercebeu/ por descuido/
Em fazê-los /tão belos/tão significativamente/mimosos/
Quanto/ na realidade/ o são/ verdadeiramente!
Portanto... caberá  ao Teatro/e a seus atores e atrizes/
Tão delicada tarefa de os fazer aflorar/à beça!

-Por que um texto/ literário/
É tão importante para o Teatro?

-Ah! Responder-lhes-ei agorinha/ mesmo!
Creio eu que quem ler /o texto abaixo/
Obterá/quiçá/ imediatamente/ a resposta desejada.

-“O Teatro e o texto
São parceiros inseparáveis”

-De repente/ literalmente/ de repente/
- Sabe-se lá bem /o porquê/
Quiçá/ por isso e aquilo/ ou aquil’outro/ -
Em mãos/do homem de Teatro/ chega-lhe um texto..
Texto este que/ de há tempos/ ele o procura/o deseja/
E /ansiosamente/ o espera/ para lê-lo a seu bel prazer.
Então/ ledo/ ao recebê-lo/ o homem de Teatro
 O devora / ávido// gulosamente/
Tal qual se fora o bendito /texto/
Uma deliciosa moqueca / de pajuari/
Que ele /no momento/ estivesse/ a degustar/
Esfomeadamente... Ora!

-Então/... Após lê-lo/ relê-lo/ e ruminá-lo/
Por vezes e mais vezes/ Incontáveis!
Decifra-o/ enfim...totalmente:
- Tim tim por tim tim!
E por conta de tanto /encantamento/
Logo se põe...o homem de Teatro/a teatralizá-lo:
- Monta-o e  coreografa-o/mentalmente/
- Imagina-se a interpretá-lo /divinamente/
Após ensaios /sem número/
Para só depois e/ tão-somente/
Ofertá-lo ao encantamento do público /sedento /
Por uma arte teatral...absolutamente/
Esmerada!

-Portanto/ como já se viu...logo após ler o texto/anelado/
O homem de Teatro perde-se /em devaneios e sonhos/
E dá asas à sua rica imaginação que alça voos/ inenarráveis/
D´ora avante /então/até que se materializem esses tantos
Devaneios e sonhos/incontáveis/no homem de Teatro:
-Aguçam-se os seus sentidos /interiores/a esporem-se
-Desnudam-se... em sua cabeça/ por demais criativa/
Fascinantes personagens...a serem vitalizados/
-Bordam-lhe/ à mente/ cenas e mais cenas /inusitadas/
-Idealizam-se cenários /exuberantes/ou singelos/
-Sucedem-se /mentalmente/o porvir dos
Estafantes ensaios /intermináveis/ etc etc...

-Entretanto...vencida essa primeira etapa/logo em seguida/
Ele / o homem de Teatro/se defrontará com a realidade
Nua e crua... com a qual terá que conviver/ queira ou não/
Porquanto/ incontáveis/ serão as dificuldades a enfrentar
Para uma realização de tal monta/ quanto um espetáculo teatral:
-Buscas e buscas/ atrozes/ de patrocínios /minguados/...
De atores e atrizes /de difícil trato/
E de espaços /apropriados/ onde se possa ofertar o espetáculo/
À apreciação do exigente público/ etc etc...

-Mas o homem de Teatro não desiste jamais
Da exaustiva montagem /da sua peça/
Pois  determinado/ insistentemente/ persiste
Em busca da gloriosa /apoteose/ por vir/
Porquanto/ para ele/vamos dizer assim/
Nela/ na apoteose/ se escondem os aplausos/
A grande retribuição /esperada/
A seu difícil/ mas prazeroso/ ofício!.

-Por fim...no ápice apoteótico do espetáculo:
- O público satisfeito/ explode /em calorosos /aplausos/
-Curvam-se gratos /os atores e atrizes/
-Apagam-se os brilhantes /holofotes/
-Cerram-se as pesadas /cortinas/
E o homem de teatro/ sorrateiramente/
Sai /anônimo/ e desaparece /na multidão/...
A transbordar a sensação imensa /de dever cumprido/
Até a próxima apresentação...quiçá/
De um novo texto a ser teatralizado num breve/ porvir!

-Então/ deu pra entender /com clareza/
A relação /imprescindível/que há/
Entre um/ o Teatro/ e outro/ o texto literário?

Montes Claros, 11-11-2012
RELMendes

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Um punhado de ausências espanta-nos aos montes


-A envelhecença é / sobretudo/sem nenhuma dúvida/sequer/
Um farto amontoado /de partidas/sem retorno/
Nas quais/de repente/ a gente/idoso/reflexivo/
Se dá conta/ abismado/ de que partir faz parte
Do  cataventar / irrequieto/ da buliçosa Vida/
Vida / sempre em chegada /ah/ seja bem-vinda!
Ou em constante saída/ então/até breve!
Pois basta nos perguntarmos/ a nós mesmos/
Ou a quem quer que seja:
- Gente/ cadê fulano/ beltrano / sicrano?

-Aí a gente/ boquiaberto/ se deparará/ de imediato/
 Com respostas e questionamentos contundentes:
- Ah/ você não sabia não?
- Não sabia o quê/ criatura?
- Ora! Que todos eles já se foram
Lá pras bandas do céu/
- Como diria Manoel de Barros -
Ou então/ de há tempos/ estão todos/eles/
 Dormindo/ dormindo/ profundamente!
- No dizer de Manoel Bandeira... Claro! -
Não obstante/ não nos esqueçamos/ jamais/
Que se está vivo / aqui e agora/neste exato momento/
É / verdadeiramente/sem sombras de dúvida/alguma/
Puro encantamento a florir/ despudoradamente!

-Então/ aí boquiabertos/ de espantos/mil/
A gente se apercebe da ligeireza  da Vida/
E do quão grande é o risco /na envelhecença/
De ainda se está por aqui /perambulando/ em saudades/
A troco de quase coisa alguma...  Ou nada /mesmo/ Ora!
Não obstante/ não nos esqueçamos/ jamais/
Que se está vivo / aqui e agora/neste exato momento/
É / verdadeiramente/sem sombras de dúvida/
Puro encantamento a florir/ despudoradamente!

RELMendes 21/10/2017

 


O lusco-fusco da Vida ainda a luzir




-Contemplo.../de esguelha/sorrateiramente/
Lá no pretérito / neste meu agora...
O estreito e ladeiroso /caminho/
Por onde eu /caminheiro/ ou peregrino/
Ou ainda tão-somente/ andarilho /curiosíssimo/
Deslanchei muito /no transcorrer da Vida/...
Fagulhando de amor/ ou de amores/
Pelas estradas /percorridas/ alopradamente/
Em busca da tão almejada /felicidade/
De todos / um sonho/muito anelado/ a tingir!

-Caminheiro ou/ quiçá/ andarilho/
Peregrino ou/ quiçá/ visionário...
Pouco importa isso agora/ ou outrora/
Pois lá/ no corredor d’alma/bem escondido/
Sempre me imaginara...ser:
- Senhor absoluto /do meu destino/
O que hoje/ah/ a mim me parece/
Ninguém o seja /verdadeiramente/
Como eu pensara/ tão imaturamente/outrora!
Mas hoje/ só sei eu/ com certeza/
Que sou vida/ e vida que segue... Apenas!

-Porém/ nesse meu agora/ sou...relativamente,
Feliz...e feliz à beça/mesmo/ sem medida/
Porquanto sou sabedor que felicidade
É tecida de momentos que  fluem /
Inesperados e breves:
- Ora prazerosos... - Ora desalentadores/
- Ora que nem os meus/ quase sempre/ bem poéticos...
Vez que não exponho.../em versos/ou poemas/
O breu escuro do meu reverso... Jamais!

-Então/ a pés em chão.../absolutamente/
Consciente/ dessa minha estranha opção/
Toco o solo /enluarado e lusco-fusqueado/
Dos meus versinhos singelos...
Pondo-me assim a reacender.../rapidamente/
As derradeiras fagulhas de Vida / ainda em mim/ a luzir/
Com o azeite das Palavras... Benditas!
Com o óleo do Verbo... Sagrado!
E quando me apercebo/ora veja só:
- Sou quase poesia a florir!

RELMendes 22/10/2016