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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Lucidez Poética


-Se é verdade que /ao envelhecer/
Meu rosto perdeu o viço /da juventude/
Porque os rastros da envelhecência o marcaram/
Sem pena/ nem dó alguma/ sequer/
Também é verdade que não esmaeceu/em mim/
A intensidade de meus tantos sonhos /juvenis/
Pois eles/ ainda hoje persistem/ em mim/tão intensos/
Quanto aqueles já degustados pelo porongo/ que fui/ outrora:
-Sonhos tressuados /de devaneios/incontroláveis/
-Sonhos tresvariados/ de doces fantasias /transitórias/
Como nuvens a valsar nos céus/ ao sabor dos ventos!

-Nesses setenta (70) anos /por mim/percorridos/
As rugas/ impiedosamente/ plissaram-me a epiderme/
E os meus negros cabelos/ ah/argentaram-se/a olhos vistos/
Pra iluminar-me a fronte de ancião/ sonhador/de muitos dias/
Mas a face de garoto /travesso/que em mim resplendia...
E a alma /sensível/ de doce e generoso poeta /desconhecido/
Essas/ah/ainda hoje/ em mim/ frementes/ esplendem!...

-Portanto/se ainda ontem/ vivi /intensamente...
Uma diversidade de emoções/ inesquecíveis/
Não há por que sorver-me /em prantos/neste então/
Nem tampouco/ por que quedar-me/ agora/
Em intermináveis lamentos...
Pois/ainda que longevo/ mas pleno de vida/
E de liberdade/não pretendo /em hipótese alguma/
Deixar de prosseguir tentando poetizar/com imensa satisfação/
Essa gama de saborosas emoções/ inesquecíveis... Jamais!


Montes Claros, 13-03-2011

Romildo Ernesto de Leitão Mendes (RELMendes)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Desvairada Transparência!




-Quando estou/ como estou/ agora/
Pássaro ferido de amor/avassalador/
Ah! Não silencio/ nem escondo/nada/ jamais!

-Posto que/ à língua solta/ declamo esse amor/
Aos quatro cantos do mundo/afora/
Quer em versos /miúdos/poemas /longos/
Poesias/ aos montes/ ou mesmo/
Em singelas trovinhas ingênuas/ de fazer dó!

-Pois sempre/ em qualquer esquina que paro/ por parar/
Hei de expor/ e exporei /sim/ esse meu amor /pulsante /
Para quem quiser me ouvir falar dele/ à beça/em bom som/
Nem tampouco/ postergarei/ nunca/ o seu conhecimento/
Pra quem quer que seja/ só para depois de amanhã/Jamais!

-Posto que agora/ neste exato momento/
Em um botequim qualquer/ das quebradas da vida/
Declino-o/ em alto e bom som/ sem pundonores algum/
Para que todos saibam/ antecipadamente
À qualquer especulação/ duvidosa / ou maledicente/
Que estou pássaro ferido /de amor/ avassalador/ sim!

-Então/ por favor/ amigos/ e desafetos/também/
Lancem depressinha /por ai afora /
- Quem sabe/ quiçá/ ao vento/ ou às nuvens/
Ou /quiçá/ à boca miúda/ conversadeira/-
Todos os versos/ ou os versos /todos/
Todas as palavras/ ou as palavras /todas/
Desse nosso poema de amor/ avassalador/
Ou dessa paixão totalmente/desvairada /
Que só nós /dois/eu e ela/ é que sabemos/
- O quão ele é plenamente/ intenso/
Posto que o vivenciamos /agora /
- O Quão ele é impossivelmente /eterno/
Posto que ele/ o amor/ é certamente /finito!

-Entretanto/ ela e eu/ desconfiamos/ profundamente/
Que certamente ele/ o nosso amor/ se esconderá
Nos desvãos de uma saudade/ infinda/
Vez que nesse nosso /então/ ele/ o amor/
A nós nos enche /de contentamento/
E de um inenarrável/ prazer/ sem fim!

Montes Claros, 18-10-2012
RELMendes

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Se é Gabriela/ por decerto/ é bela!...




-Cheiro de cravo/pilado/
Pele cor de canela/ralada/
Sempre asperge beleza...
Por onde passa faceira:
- Na roça ou no vilarejo,
- Nas vielas/ ruas/ calçadas/
- Nas bodegas/ botecos/
- Biroscas ou bares...
Gabriela / ah/tinhosamente/
Sempre/ por onde pisa/ manhosa/
Arranca suspiros e ais/
Profundos/ à beça!

-Nas praias... Ah/nem se fala/!
Quando faceira /nelas/ Gabriela desfila/
Com proposital malemolência/
Sob os olhares /ávidos e  indecorosos/
Daqueles que foram por ela /fascinados/
É só encantamento!...

-Ah, meu camarada!
Quando /na tina a transbordar/
Gabriela se banha nua/Putzgrila!
Não há quem/no mundo/ contenha
A desvairada paixão...avassaladora/
Que por ela aflora/ rua afora!...

-Gente/ isto  não sou eu quem o diz/não/
Mas sim/ aquele tal do Jorge/
Amado escritor /brasileiro/
Que ninguém/ se bom da cabeça/
Ousa contradizê-lo/ Jamais!...


Montes Claro (MG), 19-06-2012
RELMendes

Filigranas Cênicas





(Reflexões de um homem de Teatro)




-Então /vamos lá ver...
O que tenho a lhes dizer!

-O que será que seria fazer Teatro?

-Ah! Fazer Teatro/pra mim/ é a arte de rebordar/
No palco/lindos momentos da vida/ despercebidos/
Que nem a própria vida /por isso ou aquilo/
Não se importou ou não se apercebeu/ por descuido/
Em fazê-los /tão belos/tão significativamente/mimosos/
Quanto/ na realidade/ o são/ verdadeiramente!
Portanto... caberá  ao Teatro/e a seus atores e atrizes/
Tão delicada tarefa de os fazer aflorar/à beça!

-Por que um texto/ literário/
É tão importante para o Teatro?

-Ah! Responder-lhes-ei agorinha/ mesmo!
Creio eu que quem ler /o texto abaixo/
Obterá/quiçá/ imediatamente/ a resposta desejada.

-“O Teatro e o texto
São parceiros inseparáveis”

-De repente/ literalmente/ de repente/
- Sabe-se lá bem /o porquê/
Quiçá/ por isso e aquilo/ ou aquil’outro/ -
Em mãos/do homem de Teatro/ chega-lhe um texto..
Texto este que/ de há tempos/ ele o procura/o deseja/
E /ansiosamente/ o espera/ para lê-lo a seu bel prazer.
Então/ ledo/ ao recebê-lo/ o homem de Teatro
 O devora / ávido// gulosamente/
Tal qual se fora o bendito /texto/
Uma deliciosa moqueca / de pajuari/
Que ele /no momento/ estivesse/ a degustar/
Esfomeadamente... Ora!

-Então/... Após lê-lo/ relê-lo/ e ruminá-lo/
Por vezes e mais vezes/ Incontáveis!
Decifra-o/ enfim...totalmente:
- Tim tim por tim tim!
E por conta de tanto /encantamento/
Logo se põe...o homem de Teatro/a teatralizá-lo:
- Monta-o e  coreografa-o/mentalmente/
- Imagina-se a interpretá-lo /divinamente/
Após ensaios /sem número/
Para só depois e/ tão-somente/
Ofertá-lo ao encantamento do público /sedento /
Por uma arte teatral...absolutamente/
Esmerada!

-Portanto/ como já se viu...logo após ler o texto/anelado/
O homem de Teatro perde-se /em devaneios e sonhos/
E dá asas à sua rica imaginação que alça voos/ inenarráveis/
D´ora avante /então/até que se materializem esses tantos
Devaneios e sonhos/incontáveis/no homem de Teatro:
-Aguçam-se os seus sentidos /interiores/a esporem-se
-Desnudam-se... em sua cabeça/ por demais criativa/
Fascinantes personagens...a serem vitalizados/
-Bordam-lhe/ à mente/ cenas e mais cenas /inusitadas/
-Idealizam-se cenários /exuberantes/ou singelos/
-Sucedem-se /mentalmente/o porvir dos
Estafantes ensaios /intermináveis/ etc etc...

-Entretanto...vencida essa primeira etapa/logo em seguida/
Ele / o homem de Teatro/se defrontará com a realidade
Nua e crua... com a qual terá que conviver/ queira ou não/
Porquanto/ incontáveis/ serão as dificuldades a enfrentar
Para uma realização de tal monta/ quanto um espetáculo teatral:
-Buscas e buscas/ atrozes/ de patrocínios /minguados/...
De atores e atrizes /de difícil trato/
E de espaços /apropriados/ onde se possa ofertar o espetáculo/
À apreciação do exigente público/ etc etc...

-Mas o homem de Teatro não desiste jamais
Da exaustiva montagem /da sua peça/
Pois  determinado/ insistentemente/ persiste
Em busca da gloriosa /apoteose/ por vir/
Porquanto/ para ele/vamos dizer assim/
Nela/ na apoteose/ se escondem os aplausos/
A grande retribuição /esperada/
A seu difícil/ mas prazeroso/ ofício!.

-Por fim...no ápice apoteótico do espetáculo:
- O público satisfeito/ explode /em calorosos /aplausos/
-Curvam-se gratos /os atores e atrizes/
-Apagam-se os brilhantes /holofotes/
-Cerram-se as pesadas /cortinas/
E o homem de teatro/ sorrateiramente/
Sai /anônimo/ e desaparece /na multidão/...
A transbordar a sensação imensa /de dever cumprido/
Até a próxima apresentação...quiçá/
De um novo texto a ser teatralizado num breve/ porvir!

-Então/ deu pra entender /com clareza/
A relação /imprescindível/que há/
Entre um/ o Teatro/ e outro/ o texto literário?

Montes Claros, 11-11-2012
RELMendes