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sexta-feira, 12 de junho de 2015

ANDANÇAS... LA PELAS TRILHAS DO VAMOS VER NO QUE DÁ!

Livro digital...
leitura gratuita


ANDANÇAS...
LA PELAS TRILHAS DO VAMOS VER NO QUE DÁ!

( ALGUNS RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DE UM ANCIÃO PEREGRINO)



DEDICATORIA


Dedico este meu segundo livrinho digital a todos aqueles que gostam de ler meus escritos singelos.

O autor

Romildo Ernesto de Leitão Mendes




ÍNDICE:



Prólogo----------------------------------------------------------------------------------------- 6

Capitulo 1
Pistas autobiográficas --------------------------------------------------------------------- 7-8

Capitulo 2
Da terra dos verdes mares à terra das macaubeiras---------------------------- 9

Capitulo 3
Em Conquista a vida escorria lentamente-------------------------------------------10-11

Capitulo 4
Enfim, pouco a pouco, iam se abrindo, para mim as porteiras da liberdade
-------------------------------------------------------------------------------------------------------12-13

Capitulo 5
Entre mim e a bela Sacramento (MG) d´outrora, teceram-se duradouros laços de bem querer--------------------------------------------------------------------------------- 14-15

Capitulo 6
EM 1958, O SOPRO QUE ME IMPUSIONAVA NAS MINHAS ANDANÇAS DESPEJOU-ME, LITERALMENTE,  NA RICA UBERABA (MG) DE TANTOS EVENTOS SOCIAIS, ECONOMICOS E CULTURAIS ---------------------------16-17-18






PRÓLOGO

Do esconderijo da memória, eu resolvi falar de algumas andanças ou peregrinagens que fiz lá pelas bandas da infância longínqua. Não há, nestes relatos nada de inverosímel. Tudo aqui relatado, eu mesmo cascavilhei generosamente, lá onde se escondem as alegrias e os descontentamentos que a vida ofertou-me no percurso da infância e da juventude vividas.
Espero que me desculpem a ousadia. Na verdade estes relatos fi-lós para ablucionar-me a alma e o coração, daqueles espectros que espantam a criança que, em mim, ainda planje.

Sejam muito bem vindo!




CAPITULO 1

Pistas autobiográficas


Nasci, em 1941, lá pelas bandas das terras de Iracema, a virgem dos lábios de mel, atualmente conhecida pelo cognome de Fortaleza (CE). Como todo mundo eu brotei no canteiro da vida, como fruto de um acasalamento entre um homem e uma bela mulher. Claro, na época não havia nenê de proveta!
Minha mãe, os retratos confirmam era uma bela jovenzinha, chamada Maria Vanda Gomes Mendes, filha de João Gomes e de Elvira Gomes. Meu pai, era um jovem garboso, medico higienista, chamado Romildo Borges Mendes, filho de Sebastião Mendes e de Julieta Borges Mendes. Simplesmente, se conheceram e, imediatamente, se dispuseram a partilhar a vida, os sonhos, as tralhas, os bregueços e o que mais viesse. Mochilas às costas, diploma no sovaco, mulher ao braço e
filho na pança, lá se foram eles por ai afora e assim começaram nossas muitas andanças...        
      


















CAPITULO 2

Da terra dos verdes mares à terra das macaubeiras


Um dia qualquer de um mês qualquer de 1950, como que num passe de mágica, eu e meu irmão Charles fomos transferidos, sem nenhuma preparação psicológica, de Fortaleza (CE), onde residiam os avós paternos, para Conquista (MG).

Da logística do nosso transporte para Conquista (MG), se encarregaram, o Osmar Vieira e a tia Nemaura, que estavam acompanhados da pequena Nádia, filha deles. Não pegamos um Ita no norte e fomos para o Rio morar. Ah quem dera que se o tivéssemos ido! Mas pegamos uma velha aeronave muito utilizada na Segunda Guerra Mundial, chamada de “Douglas” e fomos pra Conquista (MG) morar.
Ah! É bom que se diga a priori que, eu, pessoalmente, a época, embora ainda criança, considerei a tal bendita mudança uma violência imensurável, vez que, aos mais interessados, nada foi esclarecido, antecipadamente. Simplesmente, abduziram nos de nosso nicho provisório, a terra dos verdes  mares, para nos lançarem em um asteroide perdido em minha mente pueril, totalmente, desconhecido a nós: A terra das macaubeiras.

Enfim, quer quiséssemos, quer não quiséssemos, e, na verdade, não o queríamos, lá estávamos nós no Triangulo Mineiro, ou mais precisamente, em, Conquista (MG): Terra dos Bizinotos ( gente de coração lindo); terra dos Borges ( ricos pecuaristas detentores do poder político na região); terra dos Canassas ( gente boa à beça); terra dos Furiates; terra dos Páduas; terra dos Caldeiras; etc etc...
Conquista (MG) a época era uma cidadezinha qualquer, como tantas outras pelo país afora. Mas não podemos nos esquecer que a grande novelista  Janet Clair nasceu lá, em 1925.

CAPITULO 03

Em Conquista a vida escorria lentamente


Com uma pracinha, uma escolinha, uma igrejinha, um hotelzinho, um armarinho de bugigangas, um deposito de material de construção, um postinho de saúde... ara! Carecendo de tantas outras coisasinhas, a vida na cidadesinha, só podia correr lenta do alvorecer ao crepúsculo. Era sempre o mais do mesmo, todo dia, toda hora!
Duas vezes por dia, alguns gatos pingados ocupavam a plataforma da estação ferroviária a espera do trem a vapor que, ora vinha de São Paulo destino a Uberaba, ora, de Uberaba a São Paulo. Para quem morava em Conquista (MG) estes horários do trem eram motivo de muita estripulia.
Bem cedinho, as portas do único hotelzinho se abriam a espera de que talvez quem sabe, pudesse hospedar algum vendedor forasteiro. Porque muitos outros hospedes já se preparavam para partir na jardineira (ônibus) rumo a Sacramento ou a Uberaba. À noite, a paisagem escura da cidadesinha mal iluminada intensificava sobre maneira, o deplorável tédio. Destarte, logo após ouvirmos, pelo radio na casa dos caldeiras, a célebre novela “O DIREITO DE NASCER”, só nos restava nos recolher às nossas residências.
À noite, a iluminação era tão precária que se podia perceber: - Uma lampadazinha fraquinha aqui e outra lá acolá, disputando com o brilho das estrelas quem quebraria o breu da noite. Ah! Mas, depois das 22h só as portas entre abertas dos prostibulos esperavam os clientes. E, também, o boteco de Gilberto lá na bela pracinha, mantinha-se a todo vapor para atender os bebuns e disponibilizar a mesa de sinuca para os viciados em bilhar. E eu, em meu lugar de dormir na casa de minha madrasta ( quem inventou madrasta, não tinha o que fazer!), me perdia em devaneios e em saudades de minha mãe, da qual eu só sabia que morava no Rio de Janeiro. Mas, eu não tinha nem o endereço dela, nem noticias suas e nem tampouco o numero do seu telefone.
Isto era um tormento para mim. Contudo era a força que me impulsionava a viver a cada dia na esperança de evadir-me dessa cidadesinha para encontra-la onde quer que estivesse.
Por fim, apesar dos pesares, Conquista teceu em mim gratas lembranças:
- Suas casas arejadas; seus amplos quintais, sombreados de mangueiras frondosas, todos plantadinhos de hortaliças verdinhas, e de flores perfumosas; lembranças de Dona Virgilina, nossa primeira lavadeira; de seu Leozino e sua bela ximbica a manivela; de seu Amilca Barros e de sua esposa Dona Ermelida Bizinoto, um casal literalmente santo, que foi para mim referencia a cada dia de minha vida etc etc...  



CAPITULO 04

Enfim, pouco a pouco, iam se abrindo, para mim, as porteiras da liberdade.


Como o tempo não para, em 1953 fui estudar interno no Colégio São Jose,  dos padres Claretianos, em Batatais (SP). Então o leque de minha visão geográfica se abriu, sobremaneira. Agora, eu sabia que existiam muitas outras cidades além de Fortaleza (CE) e de Conquista (MG) e que eu estava, relativamente, muito mais próximo do Rio de Janeiro. Cá comigo mesmo, eu já me sentia o cara!
- Já pensou o que era saber que Franca, Brodosque, e tantas outras cidade existiam?!
Em um dia qualquer de um mês qualquer de 1954, fui avisado, logo ao levantar-me no dormitório do colégio, que meu pai me esperava na portaria e que eu deveria já ir ao seu encontro levando comigo minha roupa pra viajarmos.  Putz grila! Perguntei-me:
- Será que ele vai tirar-me desse Oasis de paz?
Ao nos defrontarmos na portaria, ele disse-me:
-Vamos, imediatamente ao Rio, porque recebi uma ordem judicial de lá, exigindo que eu os apresentasse ao juiz em 24h, senão decretaram a minha prisão. E lá fomos nós de trem até São Paulo, e, no dia seguinte, tomamos um ônibus da Cometa na Av. Duque de Caxias, rumo à rua Garibaldi na Tijuca (RJ). Durante todo o percurso mantive-me silencioso, para que ele não percebesse a minha imensa alegria e ficasse muito aborrecido. Enfim, eu acabara de tomar posse da forma de me comunicar com todos os meus parentes maternos. A partir de então, eu não os perderia mais de vista.




CAPITULO 05

Entre mim e a bela Sacramento (MG) d´outrora, teceram-se duradouros laços de bem querer.
(Lá conclui o ginasial em 1957)

Chegara, enfim, 1955, trazendo consigo novos e grandes desafios que eu teria que enfrentar com muita galhardia, tais como:
- Saudades de meu irmão que retornara a Fortaleza (CE), para viver lá, deixando-me aqui sozinho ( ah! Só Deus e eu sabemos, quanto falta me fez!);
- Mudança de e cidade e de escola, que, em consequência, me fez perder os cuidados extremosos dos bons e generosos padres Claretianos.  Perder, também, a eficiência pedagógica e outras regalias da instituição educacional deles etc etc...
Enfim,” começar tudo de novo e contar só comigo mesmo”. Naquele exato momento de minhas andanças, apesar de eu ter apenas 14 anos de idade, eu teria que ser senhor do meu próprio destino. E eu dei conta! Mas, não obstante tamanha parresia, com o fiofó na mãos, eu me perdia, por varias vezes, em questionamentos:
- “ o que será que será...”?
- Como vou fazer...?
Mas, alguma coisa me dizia que Deus sabia, e isto, bastava-me. Se assim é, disse-me a mim mesmo:
-Novidade alguma, a de me amofinar!
Porque o conhecido, eu já conheço, e o desconhecido, por decerto, eu quereria conhecer... Ora!  Em contrapartida, o leque da liberdade se abria para mim. Quem sabe tudo aquilo não seria bom para mim? É... Quem sabe?
E, relativamente, foi muito bom!



A bela Sacramento- , de bem antigamente, ficava, a uma hora de Jardineira, da matuta Conquista, d´outrora. Sacramento,  como Conquista, também, por ser uma cidadesinha qualquer no dizer de Carlos Drummond de Andrade, adormecia cedo e caminhava a passos lentos de tartarugas, em se tratando de desenvolvimento pujante... ara!
Mas, a bela Sacramento- era uma cidadesinha limpa, toda calçadinha de paralelepípedo bem talhados, ela sempre se amanhecia de auroras- a iluminar suas largas avenidas e suas ruasinhas; ela sempre se amanhecia de bocejos juvenis a caminho da escola local, da qual todos os habitantes se orgulhavam, porque, em fim, era um ginásio, o que fazia a diferença entre ela e as demais cidadesinhas a seu entorno; ela sempre se amanhecia de burburinhos de gente laboriosa, hospitaleira, acolhedora e de coração lindo:
- Seu Labieno, Da Sara, Alicinha, Celia, Ercilha, Voza, Luis Fernando, José Alberto, Ana Flavia etc etc...

A bela Sacramento d´outrora, talvez até fosse uma cidadesinha qualquer, como tantas outras do então.
Mas, o que importa é que a bela sacramento de outrora escreveu em mim lembranças de coisas e de pessoas que não pretendo esquecer “nem bem de vagarinho”: A bela igreja Matriz de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e sua glamorosa pracinha, onde os enamorados se perdiam em olhares e suspiros apaixonados; - a pensão, onde vivi por três anos, espremida entre uma esquina comercial e a casa dos Valadares; -Dona Araci Pavanelli, a nossa inesquecível diretora; -Dona Corina, minha professora de português, a doce Mãe Corina do Lar espírita Eurípedes  Barsanulfo; - Dona Dalila, a suave professorinha de desenho e pintura; a competentíssima dona Hilca, que em mim despertou o desejo de ser professor de história etc etc...
Por fim,  só sei que sou eternamente grato a Sacramento, por tudo que lá vivi, por tudo que lá aprendei, por todas as amizades que lá construi.    


CAPITULO 06

EM 1958, O SOPRO QUE ME IMPUSIONAVA AS MINHAS ANDANÇAS DESPEJOU-ME, LITERALMENTE,  NA RICA UBERABA (MG) DE TANTOS EVENTOS SOCIAIS, ECONOMICOS E CULTURAIS.
(Lá, conclui, a duras penas e muito esforço, o curso cientifico em 1960)



Mas, despejou-me, logo em Uberaba, a troco de quê?

Ah! Porque a exuberante cidade de Uberaba era muito famosa, quer a seu entorno, quer quiçá, no mundo inteiro, porquanto serem, de todos muito conhecidas, suas tão decantadas primícias: - a pujança de sua pecuária de corte e reprodução; - a beleza de suas meninas de grossas pernas, de tanto caminharem por ladeiras íngremes acima; - a efervescência pujante de sua vida cultural: - escolas de todos os tipos, e o desabrochar dos cursos superiores de filosofia, odontologia e medicina etc etc...; - a boniteza  de suas solidas construções, quer conventuais, quer residenciais; a rivalidade acirrada, ora velada, ora explicita, entre o Bispo Dom. Alexandre do Amaral, intelectual de primeira linha, e os intelectuais espíritas, tão sábios e generosos; e por tantas outras coisas mais etc etc...

Portanto, por esses e por tantos outros porquês, e que, naquele meu agora, ali estava eu em Berabão (junção de Uberaba com etá trem bão), sem lenço nem documento, sem um centavo nos bolsos, e, aparentemente sozinho, a questionar-me mais uma vez: - e agora Romildão?!
Respondia-me, a mim mesmo: - Vamos pagar pra ver!
No que tange a hospedagem, logo que cheguei, eu me aboletei, em uma pensãosinha qualquer, acostumada a acolher estudantes forasteiros. Bem pertinho da praça da catedral. Quanto à matricula, eu já a fizera, antecipadamente, no colégio do celebre, Mario Palmerio, para o período noturno. E durante três longos anos de minha vida, eu fui aprendendo a conhecer Uberaba e a permitir que ela me acolhesse. Mas, logo de inicio, eu pensara ter feito uma péssima escolha de horário pra estudar. Porque deitava-me a altas horas e levantava-me quase na hora do almoço. À tarde, ou voltava a dormir, ou ia bater pernas pelos quatro cantos da cidade. Contudo, eu estava totalmente enganado! Graças a Deus, não tive o discernimento suficiente para pedir transferência para o turno matutino. O que teria sido mais coerente para quem pretendia ser, o que só eu e Deus sabíamos o que era. Toda via, enfim, Deus tinha outros planos para mim. Tanto é que, em compensação, por estudar a noite, tive a imensa felicidade de conviver com colegas e colegas, que trabalhavam desde a mais tenra idade. No caso, o meu bom amigo Paulo, uma pessoa de coração lindo. Todos os sábados e domingos eu e Paulo íamos à casa de sua namorada, para estudarmos para alguma prova que aconteceria na segunda feira seguinte. Eles riam muito de mim, que me perdia em imitar todos os professores com grande maestria.

Bem como também, estudar a noite, proporcionou-me inesquecíveis oportunidades, tais como: - fazer o Tiro de Guerra sem perder o ano escolar; - visitar amigos à tarde. ( Dentre os quais a maioria era espíritas generosíssimos, como  Da Celina, a Cléo, minha doce mestrinha de latim, a primeira deficiente visual a se formar em letras no Brasil. Ainda neste contexto das minhas amizades espíritas, acredite se quiser, eu aludo aqui, também, o suavissímo, Chico Xavier,  a quem  não só por uma vez, eu visitara, até com certa frequência, para trocarmos ideias sobre a vida espiritual, tão importante para nós dois);



- ainda também, por inúmeras vezes à tarde, eu peregrinava por conventos e mosteiros, onde amizades, fi-las, abundantemente: - ir João OP, frei Boaventura OP, frei Chambert OP, Dom Sebastião OSB, o monge dentista, a doce Madre  Superiora das Consepicionistas, minha querida amiga Madre Coleta, e tantas outras e outros. Porquanto tudo isto, e um punhado generoso de tantas outras coisas, eu penso que fora uma boa, ter estudado a noite.
Dessa querida Uberaba, que para mim transpirava espiritualidade, eu partira, no final de 1960, rumo a Belo Horizonte.              
 

domingo, 12 de abril de 2015

Morre a crítica teatral Barbara Heliodora, aos 91 anos

A crítica teatral Barbara Heliodora morreu na manhã desta sexta-feira (10) no Hospital
Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio, onde estava internada desde março. A crítica de teatro tinha 91 anos.
Nascida em 29 de agosto de 1923, filha de uma poetisa, Anna Amélia Carneiro de Mendonça, e do historiador Marcos Carneiro de Mendonça, a crítica teatral e tradutora Barbara Heliodora se transformou em uma das maiores conhecedoras da obra de William Shakespeare no Brasil. 
A paixão pelo escritor inglês começou na infância, aos 12 anos, após ganhar da mãe o primeiro volume das obras completas do dramaturgo. Ela costumava dizer que Shakespeare foi um grande e bom amigo ao longo dos anos.
Barbara estudou e se formou nos anos 1940 em literatura inglesa no Connecticut College, nos Estados Unidos. Aos 35 anos, iniciou a  carreira no jornalismo, no jornal Tribuna da Imprensa, entre outubro de 1957 e fevereiro de 1958.  Na época, amigos do teatro "O Tablado", insistiram para que ela escrevesse sobre o mundo teatral que ela tanto admirava.  
Foi no Jornal do Brasil, onde trabalhou até 1964, que sua carreira conquistou respeito e seriedade pelo conhecido rigor dos seus artigos e críticas. Ela era responsável pela resenha de teatro do jornal. A classe teatral brasileira se referia a ela como a "Dama de Ferro". Nos teatros, gostava sempre de sentar nas primeira fileiras para assistir aos espetáculos.  Em 2013, em entrevista ao programa Starte, da Globonews, ela contou que já tinha visto mais de 3.500 espetáculos teatrais.
Entre 1964 e 1967, em plena ditadura militar, ela assumiu a direção do Serviço Nacional do Teatro. Barbara também deu aulas no Conservatório Nacional de Teatro e no Centro de Letras e Artes da Uni-Rio, onde se aposentou em 1985.
Voltou ao jornalismo em 1985, na revista Visão. Cinco anos depois,  foi convidada trabalhar no  jornal O Globo, onde ficou por mais de 20 anos. Deixou o dia a dia do jornal no final de 2013, ao completar 90 anos. Nesse mesmo ano, disse em entrevista ao programa Starte, da Globonews, que já tinha visto mais de 3.500 espetáculos teatrais. Mesmo sem a rotina de escrever diariamente sobre teatro, Barbara continuou a fazer traduções e participar de mesas de debates sobre Shakespeare, em reuniões semanais em sua casa, no Largo do Boticário.
Barbara também fez direção, adaptação e tradução de diversas obras. Um de seus maiores desafios foi a tradução de mais de 30 peças de Shakespeare para o português. Em entrevista exibida em 2009, na Globonews, ela contou que fez a tradução ao longo de 30 anos. A mãe dela já tinha feito a tradução de "Hamlet" e "Ricardo III".
Ao longo da carreira ela escreveu seis livros.  O primeiro em 1975, a partir da sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) : "A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare".  Em 1997, "Falando de Shakespeare", onde reuniu conferências realizadas ao longo de 15 anos de trabalho.
Em 2000, Barbara escreveu "Martins Pena, uma introdução", a convite da Academia Brasileira de Letras. Em 2004, ela  lançou uma coletânea de ensaios: "Reflexões Shakespearianas".  E na companhia de outros quatro autores, lançou em 2005  "Brasil, Palco e Paixão" - Um século de Teatro", sobre uma parte da história do teatro brasileiro no século XX. O último livro foi "Caminhos do teatro Ocidental", resumo do trabalho como professora de história do teatro, de 1966 a 1985.
Em uma de suas últimas entrevistas disse que pensava sobre a contribuição do teatro. "O teatro é um documentário perfeito da história do ocidente. Você lendo as peças você vai acompanhar o desenvolvimento do ocidente exatamente. Os autores teatrais acabam refletindo exatamente a história toda".
Barbara Heliodora deixa três filhas - de dois casamentos - e quatro netos.


Barbara Heliodora, nascida Heliodora Carneiro de Mendonça (Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1923  — Rio de Janeiro, 10 de abril de2015), foi uma ensaísta, tradutora e crítica de teatro brasileira,2 além de reconhecidamente uma autoridade na obra de William Shakespeare.1É professora emérita e titular aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Foi condecorada pelo Ministério da Cultura da França com a Ordre des Arts et des Lettres e, no Brasil, pela Academia Brasileira de Letras, conquistando a medalha João Ribeiro.
Filha mais nova do casal de intelectuais Anna Amélia e Marcos Carneiro de Mendonça, Barbara Heliodora inicia sua em 1958, aos 35 anos, como crítica teatral da Tribuna da Imprensa.1De 1958 a 1964 assina a coluna especializada do Jornal do Brasil, logo adquirindo respeito graças à seriedade, ao rigor e à erudição dos seus artigos.1 Foi uma das líderes na modernização da crítica teatral no Rio de Janeiro, através do Círculo Independente de Críticos Teatrais.1
De 1964 a 1967, afasta-se da crítica para atuar na direção do Serviço Nacional de Teatro (SNT).1 Mais tarde volta-se unicamente ao ensino ao atuar como professora de história de teatro no Conservatório Nacional de Teatro e, posteriormente, professora titular da mesma disciplina no Centro de Letras e Artes da Uni-Rio, cargo que desempenha até a sua aposentadoria, em 1985.1 Mais tarde, também ministra cursos de pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP), onde defende, em 1975, tese de doutorado intitulada "A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare", posteriormente transformada em livro.1 Publica também Algumas Reflexões sobre o Teatro Brasileiro em 1972.1 Em 1986, volta a exercer a crítica jornalística na revista Visão, passando depois a jornais e como O Globo, onde se estabelece. Na década de 90, volta a lecionar no curso de mestrado em teatro da Uni-Rio.1
Publicou textos também no Jornal do Brasil e Estado de S. Paulo. Uma de suas obras mais conhecidas é Falando de Shakespeare, a expressão dramática do homem político em Shakespeare e Martins Pena: uma introdução. Também é considerada uma "polemista inveterada".
Em 2013 publicou A história do teatro no Rio de Janeiro e Caminhos do teatro ocidental. Em 2014 lançou Shakespeare: o que as peças contam — Tudo o que você precisa saber para descobrir e amar a obra do maior dramaturgo de todos os tempos.2
Em janeiro de 2014, aos 90 anos, decide sair de cena, embora já estivesse aposentada desde 1985.3 Deixa seu cargo de crítica de teatro n'O Globo para o crítico Macksen Luiz


Frei Jordão, o alegre confessor do Noviço esparolado




Frei Jordão de Oliveira OP

Meu Deus! Quando minha memória se dispões a passear lá no passado, Ela sempre encontra algo de interessante a rememorar. Portanto, vamos acompanha-la em suas andanças pra ver o que ela ira cascavilhar lá no passado já tão distante.
Cá comigo tenho por certo que, novamente, nos conduzirá ao Convento dos dominicanos, situado à rua, do Ouro, bairro da Serra em Belo Horizonte, lá pelos idos de 1961.
Desta vez para falarmos de um cara incrível, e muito santo, frei Jordão.
E por que não?
Ora!  Se nem o tempo conseguiu apagar em mim suas santas lembranças, não serei eu quem as esconderei vez que não seria nem pertinente ao relato, nem tampouco justo ao protagonista.

Quando conheci frei Jordão, ele já era um frade presbítero e vice mestre de noviços. Era um jovem homem de sorriso afável e permanente.
Penso que frei Jordão, em sua juventude, como eu deveria ser “um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones”.
Vez que em sua maturidade, quando o conheci, apesar de acometido por uma terrível doença – uma tuberculose calopante adquirida em uma de suas extravagâncias esportivas, subir a “Serra da Piedade” correndo sem agasalho- sempre o encontrávamos perdido em alegria e brincadeiras interessantes.
Esse cara era verdadeiramente um santo.
Dias após a minha tomada de hábito, eu o escolhi para meu confessor  vez que se ao Mestre de Noviços, considerado a Regra Viva do convento, cabia conduzir-nos ao conhecimento e a vivência do carismas da Ordem, aos demais frades presbíteros, segundo a livre escolha de cada noviço, competia  ouvir-nos em confissão e dar-nos orientação espiritual .

Então, contar-lhes-ei um interessante fato que confirma a santidade desse bom homem com quem tive a oportunidade de conviver no convento por alguns poucos meses:
Certa feita, numa tarde qualquer daquele saudoso tempo, quando fui me confessar, ao bater à porta de sua cela deparei-me com uma enternecedora cena de profunda paciência consigo mesmo e com suas limitações.
Lá estava ele prostrado ao solo de braços abertos e rindo se si mesmo, porque fora tentar rezar de joelhos e caira de bruços ao solo. Ao entrar, disse-me que já se encontrava naquela posição a mais de duas horas a espera de alguém que viesse ajuda-lo a se levanta.
Pediu-me que lhe desse o braço para que pudesse se apoiar e por si só se levantar. Então compreendi que, realmente, ele se encontrava muito debilitado. Mas, a maior surpresa, foi quando me pediu pra ajuda-lo a trocar o hábito que tinha se sujado porque era muito branco.
Meu Deus!... O santo homem era só pele, osso e sondas excretoras do excessivo fluido pulmonar que escorria de  seu magérrimo corpo franzino. E no entanto, nunca ninguém o vira  lamuria-se  de nada. Pronto! Daquele momento em diante, eu já não tinha problema algum! Uma vez recomposto disse-me carinhosamente:
- Frei Boaventura, estou a sua disposição! O que o senhor deseja?
Profundamente encabulado,  disse-lhe:
-Vim apenas reclamar de quase nada. Mas, ao observa-lo com tanta paciência para consigo mesmo, já obtive a paz que eu vim procurar. Agradeci-lhe ternamente, o acolhimento e parti curado, de alma e de mente.     

Conta-se que esse tal frei sorriso, com o qual eu tive o privilégio de conviver ainda que por pouco tempo, morreu brincando com seus confrades que cantavam a Salve Rainha na hora de sua morte.

- “Gente, se desafinarem na minha missa de “réquiem” como estão desafinado agora, eu salto do caixão e saio correndo por ai afora”. 

Contaram-me, também, que após dizer isto, sorriu, respirou fundo e partiu.
Valeu, homem sorriso!
Até breve! 
   
Montes Claros, (MG), 12-04-2015
RELMendes

   

domingo, 22 de março de 2015

Morre Cláudio Marzo

O ator Cláudio Marzo, de 74 anos, morreu às 5h39 deste domingo (22) na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio. Segundo a assessoria da unidade, ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) com quadro de pneumonia desde o dia 4 de março.
Ainda não há informações sobre onde o velório será realizado. Segundo a assessoria do hospital, Marzo tinha o desejo de ser cremado. A família aguarda a chegada de um dos filhos que mora na Austrália.
Outras internações
O ator também foi internado no dia 8 de fevereiro devido a um quadro infeccioso, associado à insuficiência renal e a um enfisema descompensado, informou o boletim médico divulgado pelo Dr. João Manuel Pedroso, clínico geral e cardiologista do ator.
No dia 28 de dezembro de 2014, Cláudio foi internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do mesmo hospital com um quadro de arritmia cardíaca e pneumonia. Entretanto, recebeu alta médica no dia 31 de dezembro e pôde passar a virada do ano em casa.
Primeiro time da Globo
Marzo tinha 25 anos quando recebeu o convite para trabalhar na TV Globo. Ele morava em São Paulo e fazia parte do Grupo Oficina. Ele ainda atuava como dublador da série americana “Mr. Novac”. Foi quando se mudou para o Rio e assinou contrato. Ele fez parte do primeiro grupo de atores contratados pela Globo, inaugurada em 26 de abril de 1965.
“Por coincidência, a Globo tinha comprado esses filmes que eu dublava. Então, já contratado, eu continuava em São Paulo, até terminar as dublagens. Queria ter vindo antes, estava doido para vir para o Rio”, lembrou o ator, em depoimento ao site Memória Globo.
Foi por conta desse pequeno atraso que o ator acabou escalado não para a primeira, mas para a segunda novela da emissora no horário das 19h. Era “A Moreninha”, de Graça Mello, com 35 capítulos.
Ele nasceu no dia 26 de setembro de 1940, em São Paulo, filho de uma família de operários e descendente de italianos. O ator abandonou os estudos aos 17 anos para trabalhar como figurante na TV Paulista. Depois, foi contratado pela TV Tupi. “Deixei até o cabelo crescer para viver o músico, ninguém naquela época tinha cabelo comprido”, disse.
“Sempre tive vontade de ser ator, achava uma coisa fantástica. Os atores me emocionavam. Achava interessante você transmitir emoções e consciência de mundo para as pessoas. Na época, eu acreditava, ingenuamente até, que o teatro pudesse modificar o mundo.”
Par com Regina Duarte
O ator participou de várias novelas nos anos 1960, sendo "Véu de Noiva" um de seus momentos mais marcantes. Ele atuou ao lado de Regina Duarte, na trama de Janete Clair. A novela é considerada importante por ter sido uma resposta à tendência iniciada por "Beto Rockfeller", exibida pela TV Tupi. Foi ainda a primeira a ganhar uma trilha sonora original, com músicas escolhidas por Nelson Motta.


O par romântico Marzo e Regina Duarte no gosto popular. E voltou a ser escalado em "Irmãos Coragem", de Janete Clair, produzida em 1970. Na trama, o ator viveu um dos irmãos Coragem, Duda, um craque dos campos de futebol. Foi mais um sucesso de público. “Eu não queria fazer sucesso em televisão. Eu queria ser ator de teatro, entende? E achava que, na minha cabeça, na época, fazer sucesso em televisão era uma coisa que te queimava. Novela, televisão, isso era uma coisa inferior. Mas eu precisava trabalhar”, confessa.

"Minha doce namorada", de 1971, e "Carinhoso", de 1973, trouxeram de volta Cláudio Marzo e Regina Duarte. Na década seguinte, participou de produções que marcariam a carreira. Em "Brilhante", novela de Gilberto Braga exibida em 1981, interpretou o motorista Carlos, que vivia romance com a patroa, Chica Newman, interpretada por Fernanda Montenegro.
Manchete e filmes
Marzo também participou de duas novelas na extinta TV Manchete. Ele esteve em "Kananga do Japão", de Wilson Aguiar Filho, em 1989; e "Pantanal", de Benedito Ruy Barbosa, no ano seguinte. A carreira de Marzo também inclui trabalhos no cinema. Foram 35 longas-metragens, com destaque para "O Homem Nu", dirigido por Hugo Carvana, com roteiro de Fernando Sabino, em 1990.

Retorno à TV Globo
De volta à Globo em 1993, atuou em "Fera Ferida", de Walther Negrão, no papel do
coveiro Orestes Fronteira. Dois anos depois, foi convidado para participar do remake de "Irmãos Coragem", dessa vez vivendo o poderoso coronel Pedro Barros, justamente quem perseguia a família Coragem. Em 2007, na Globo, atuou na novela "Desejo Proibido", de Walther Negrão, e na minissérie "Amazônia – De Galvez a Chico Mendes", de Gloria Perez, no papel de Ramalho Jr, ex-governador do Acre. O último trabalho na Globo foi no seriado "Guerra e Paz", em 2008. O ator interpretou o capitão Guerra.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Morreu Inezita Barroso, o rouxinol da cantiga sertaneja!

Inezita Barroso Inezita Barroso, nome artístico de Ignez Magdalena
Aranha de Lima (São Paulo, 4 de março de 1925 — São Paulo, 8 de março de 2015), foi uma cantora, atriz, instrumentista, bibliotecária 3 4 , folclorista, professora, doutora honoris causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em espetáculos, álbuns, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional. Adotou o sobrenome Barroso ao se casar, em 1947, aos 22 anos, com o advogado cearense Adolfo Cabral Barroso. Nascida numa família abastada6 e apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita começou a cantar e tocar violãoe viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano. Foi aluna da primeira turma da graduação em Biblioteconomia da USP3 , formando-se antes de se tornar cantora profissional. Carreira artística Com o primeiro disco, vieram
também os primeiros sucessos: o clássico samba Ronda, de Paulo Vanzolini e a caipiríssima Moda da Pinga, de Ochelsis Laureano e Raul Torres, que se tornou a mais célebre das interpretações. Ultrapassou a marca de cinquenta anos de carreira e de oitenta discos gravados, entre 78 rpm, vinil e CDs. Desde 1980 comanda o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo. Apresentou também no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome. Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora
de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.[carece de fontes] Desde a década de 1980, Inezita Barroso ainda arranjava um espaço na agenda para dar aulas de folclore. Atualmente, lecionava nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recentemente recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro. As apresentações de Inezita Barroso nos países latino-americanos e africanos criaram uma aura de sucesso para a cantora, indicada para o Grammy sulafricano na categoria de artistas vocais populares internacionais e regionais. Os concertos de Inezita Barroso em tais países excederam a audiência de outros artistas nacionais e internacionais com maior exposição midiática, adeptos de música denominada "pop" (abrev. de Popular).[carece de fontes] Ao contrário do que o público costuma esperar da artista, Inezita Barroso trabalhou em
interpretações de autores mais atuais da MPB, de outras vertentes que não apenas a caipira/sertaneja. Gravações recentes mostram a cantora interpretando obras de Ella Fitzgerald e outros nomes do jazz tradicional e blues.[carece de fontes] No programa "Roda Viva", da Rede Cultura de Televisão, que contou com a presença da cantora como principal entrevistada, em 2004, Inezita Barroso afirmou ser contra a propagação e troca eletrônica de músicas. Embora concorde que o uso de músicas em formatos digitais em notebooks e dispositivos portáteis (iPod, etc) pode facilitar o acesso dos jovens à cultura, afirmou que participa de manifesto de artistas brasileiros junto às gravadoras pedindo ações que proíbam e fiscalizem de forma mais eficiente a pirataria.[carece de fontes] O DJ Ronaldo, músico frequentemente presente na cena eletrônica carioca, perdeu ação judicial contra a gravadora EMI, por ter criado, sem autorização da gravadora detentora dos direitos sobre a composição, uma versão funk da música "Marvada Pinga - Moda da Pinga", principal sucesso de Inezita Barroso. Ainda assim, a música pode ser facilmente encontrada em sites para download, além de ter se tornado um dos "ring tones" para celulares mais
comuns.[carece de fontes] Com a aproximação do decanato do falecimento do pianista Pedrinho Mattar, seu amigo e colega de composições e interpretações, surge grande expectativa com relação à esperada publicação da obra final deste músico, intitulada "O Portal". Grupos de entusiastas e admiradores de Mattar, que aguardam ansiosamente pela publicação da obra, afirmam que haveria co-parceria de Inezita Barroso em um dos movimentos da referida composição. O afamado violoncelista húngaro, naturalizado português, Alfonso Orelli, apresentou trechos da suposta composição, aos quais teria tido acesso durante uma turnê na qual tocou ao lado de Mattar. Dentre tais trechos, Orelli identificou forte influência da música dita "Caipira-Sertaneja" na segunda parte do primeiro movimento. Tem-se atribuído a Inezita Barroso a influência musical sobre esta parte da composição.[carece de fontes] Em novembro de 2014, foi eleita para a Academia Paulista de Letras, ocupando o lugar da folclorista Ruth Guimarães, morta em maio.7 Em fevereiro de 2015, Inezita foi internada no Hospital Sírio Libanês, onde morreu em 8 de março. Inezita Barroso, conhecida por sua defesa da cultura caipira, à qual dava espaço no programa "Viola, Minha Viola", que apresentou por quase 35 anos. A informação foi confirmada pelo perfil oficial da TV Cultura. Inezita estava internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 19 de fevereiro. Completou 90 anos no último dia 4. A cantora deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos. Segundo a família, Inezita morreu por conta de uma insuficiência respiratória aguda e o velório se inicia às 6h da manhã na Assembleia Legislativa de São Paulo, no centro da capital paulista, e fica fechado apenas para a família por meia hora. O enterro acontecerá às 17h no cemitério Gethsemani, no Morumbi, zona sul da cidade. Ignez Magdalena Aranha de Lima, nome de batismo de Inezita Barroso, nasceu em 4 de março de 1925, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Filha de família tradicional paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares. Formou-se em Biblioteconomia pela USP, e foi uma grande pesquisadora do gênero musical. Por conta própria, percorreu o Brasil resgatando histórias e canções. Além da cantora, foi instrumentista,
arranjadora, folclorista e professora. Em cerca de 60 anos de carreira, gravou mais de 80 discos. Como intérprete, sua gravação mais famosa foi "Moda da Pinga", dos versos "Co'a marvada pinga é que eu me atrapaio/ Eu entro na venda e já dô meu taio/ Pego no copo e dali num saio/ Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio/ Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!". Na televisão, iniciou a sua
carreira artística junto com a TV Record, onde foi a primeira cantora contratada. Depois, passou pela extinta TV Tupi e outras emissoras, até chegar à TV Cultura para comandar o "Viola, Minha Viola", onde apresentava desde os anos 1980. Inezita manteve a rotina de apresentações e gravações do programa até 2014. Em dezembro, ela chegou a ser hospitalizada após cair dentro da casa de sua filha, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Desde então, não participou mais do seu tradicional programa de música sertaneja.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Papa Francisco, o Papa que fala e a gente entende


Queridos irmãos e irmãs, bom dia,
A catequese de hoje e a da próxima quarta-feira são dedicadas aos idosos, que no âmbito da família são os avós, os tios. Hoje, vamos refletir sobre a problemática condição atual dos idosos e, da próxima vez, isso é, na próxima quarta-feira, de forma mais positiva, sobre a vocação contida nesta idade da vida.
Graças aos progressos da medicina, a vida se alongou: mas a sociedade não se “alargou” à vida! O número de idosos se multiplicou, mas as nossas sociedades não se organizaram o suficiente para dar lugar a eles, com justo respeito e concreta consideração por sua fragilidade e sua dignidade. Enquanto somos jovens, somos induzidos a ignorar a velhice, como se fosse uma doença a manter distante; depois, quando nos tornamos velhos, especialmente se somos pobres, se estamos doentes, sozinhos, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficiência, que consequentemente ignora os idosos. E os idosos são uma riqueza, não podem ser ignorados.
Bento XVI, visitando uma casa para idosos, usou palavras claras e proféticas, dizia assim: “A qualidade de uma sociedade, gostaria de dizer de uma civilização, se julga também pelo modo como os idosos são tratados e pelo lugar reservado a eles no viver comum” (12 de novembro de 2012). É verdade, a atenção aos idosos faz a diferença de uma civilização. Em uma civilização há atenção para o idoso? Há lugar para o idoso? Esta civilização seguirá adiante se souber respeitar a sabedoria, a sabedoria dos idosos. Em uma civilização em que não há lugar para os idosos ou são descartados porque criam problemas, esta sociedade leva consigo o vírus da morte.
No Ocidente, os estudiosos apresentam o século atual como o século do envelhecimento: os filhos diminuem, os velhos aumentam. Este desequilíbrio nos interpela, antes, é um grande desafio para a sociedade contemporânea. No entanto, uma cultura do lucro insiste em fazer os velhos parecerem um peso, um “lastro”. Não só não produzem, pensa esta cultura, mas são um fardo: em suma, qual é o resultado de pensar assim? São descartados. É ruim ver os idosos descartados, é uma coisa ruim, é pecado! Não se ousa a dizer isso abertamente, mas se faz isso! Há algo de vil nesta dependência à cultura do descartável. Mas nós estamos habituados a descartar pessoas. Queremos remover o nosso elevado medo da fraqueza e da vulnerabilidade; mas assim fazendo aumentamos nos idosos a angústia de serem mal suportados e abandonados.
Já no ministério de Buenos Aires, vi de perto esta realidade com os seus problemas: “Os idosos são abandonados, e não só na precariedade material. São abandonados na egoísta incapacidade de aceitar os seus limites que refletem os nossos limites, nas numerosas dificuldades que hoje devem superar para sobreviver em uma civilização que não permite a eles participar, ter uma palavra a dizer, nem de ser referência segundo o modelo consumista do ‘somente os jovens podem ser úteis e podem desfrutar’. Estes idosos deveriam, em vez disso, ser, para toda a sociedade, a reserva de sabedoria do nosso povo. Os idosos são a reserva de sabedoria do nosso povo! Com quanta facilidade se coloca para dormir a consciência quando não há amor!” (Só o amor pode nos salvar, Cidade do Vaticano 2013, p. 83). E assim acontece. Eu recordo, quando visitava as casas de repouso, falava com cada um e tantas vezes ouvi isso: “Como a senhora está? E os seus filhos? – Bem, bem – Quantos filhos a senhora tem? – Tantos. E eles vêm visitá-la? – Sim, sim, sempre, sim, vêm. – Quando vieram pela última vez?”. Recordo uma idosa que me dizia: “Foi no Natal”. Estávamos em agosto! Oito meses sem ser visitada pelos filhos, oito meses abandonada! Isto se chama pecado mortal, entendido? Uma vez, quando criança, a avó nos contava uma história de um avó idoso que, ao comer, se sujava porque não podia levar bem a colher com a sopa à boca. E o filho, o pai da família, decidiu tirá-lo da mesa comum e fez uma mesinha em uma cozinha, onde não podia ser visto, para que comesse sozinho. E assim não daria uma má impressão quando chegassem os amigos para almoçar ou jantar. Poucos dias depois, chegou à casa e encontrou o seu filho menor que brincava com a lenha e o martelo e os pregos fazendo alguma coisa ali, disse: “O que você está fazendo? Faço uma mesa, papai. – Uma mesa, para que? – Para você ter uma quando se tornar idoso, assim você pode comer ali”. As crianças têm mais consciência que nós!
Na tradição da Igreja, há uma riqueza de sabedoria que sempre apoiou uma cultura de proximidade aos idosos, uma disposição ao acompanhamento afetuoso e solidário nesta parte final da vida. Tal tradição está enraizada nas Sagradas Escrituras, como atestam, por exemplo, estas expressões do Livro do Eclesiástico: “Não desprezes os ensinamentos dos anciãos, pois eles aprenderam com seus pais. Estudarás com eles o conhecimento e a arte de responder com oportunidade” (Eclo 8, 11-12).
A Igreja não pode e não quer se conformar a uma mentalidade de impaciência e tão pouco de indiferença e desprezo em relação à velhice. Devemos despertar o sentido coletivo de gratidão, de apreço, de hospitalidade, que façam o idoso se sentir parte viva da sua comunidade.
Os idosos são homens e mulheres, pais e mães que foram antes de nós nessa nossa mesma estrada, na nossa mesma casa, na nossa cotidiana batalha por uma vida digna. São homens e mulheres de quem nós recebemos muito. O idoso não é um alienígena. O idoso somos nós: em breve, em muito tempo, inevitavelmente, de qualquer maneira, mesmo se nós não pensamos nisso. E se nós aprendemos a tratar bem os idosos, assim nos tratarão.
Frágeis todos somos um pouco. Alguns, porém, são particularmente frágeis, muitos são sozinhos, e marcados pela doença. Alguns dependem de cuidados indispensáveis e da atenção dos outros. Vamos dar um passo atrás nisso? Vamos abandoná-los ao próprio destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuidade e afeto sem contrapartida – mesmo entre estranhos – vai desaparecendo, é uma sociedade perversa. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuidade não fossem mais consideradas indispensáveis, perderia com isso a sua alma. Onde não há honra para os idosos, não há futuro para os jovens.

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 4 de março de 2015





Catequese do Papa Francisco - valor e missão dos idosos


Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
Na catequese de hoje, prosseguimos a reflexão sobre os avós, considerando o valor e a importância do seu papel na família. Faço isso identificando-me com essas pessoas, porque também eu pertenço a essa faixa de idade.
Quando estive nas Filipinas, o povo filipino me saudava dizendo “Lolo Kiko” – isso é, vovô Francisco – “Lolo Kiko”, diziam! Uma primeira coisa é importante destacar: é verdade que a sociedade tende a nos descartar, mas certamente não o Senhor. O Senhor não nos descarta nunca. Ele nos chama a segui-Lo em cada idade da vida e mesmo a velhice contém uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. A velhice é uma vocação. Não é ainda o momento de “tirar os remos do barco”. Este período da vida é diferente dos precedentes, não há dúvida; devemos também “criá-lo” um pouco, porque as nossas sociedades não estão prontas, espiritualmente e moralmente, para dar a isso, a esse momento da vida, o seu pleno valor. Uma vez, de fato, não era assim normal ter tempo à disposição; hoje é muito mais. E mesmo a espiritualidade cristã foi pega um pouco de surpresa e se trata de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. Mas graças a Deus não faltam os testemunhos de santos e santas idosos!
Fiquei muito impressionado com o “Dia para os idosos” que fizemos aqui na Praça São Pedro no ano passado, a praça estava cheia. Ouvi histórias de idosos que se gastam pelos outros e também histórias de casais de esposos que diziam: “Completamos os 50 anos de matrimônio, 60 anos de matrimônio”. É importante mostrar isso aos jovens que se cansam cedo; é importante o testemunho dos idosos na fidelidade. E nesta praça estavam tantos naquele dia. É uma reflexão a continuar, em âmbito seja eclesial seja civil. O Evangelho vem ao nosso encontro com uma imagem muito bela e comovente e encorajante. É a imagem de Simeão e de Ana, dos quais nos fala o Evangelho da infância de Jesus composto por Lucas. Eram certamente idosos, o “velho” Simeão e a “profetisa” Ana que tinha 84 anos. Esta mulher não escondia a idade. O Evangelho diz que esperavam a vinda de Deus todos os dias, com grande fidelidade, há muitos anos. Queriam propriamente vê-lo aquele dia, colher os sinais, intuir o início. Talvez estivessem um pouco resignados, por agora, a morrer primeiro: aquela longa espera continuava, porém, a ocupar toda a vida deles, não tinham compromissos mais importantes que isso: esperar o Senhor e rezar. Bem, quando Maria e José foram ao templo para cumprir as disposições da Lei, Simeão e Ana se moveram animados pelo Espírito Santo (cfr Lc 2, 27). O peso da idade e da espera desapareceu em um momento. Esses reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma nova tarefa: dar graças e dar testemunho para este Sinal de Deus. Simeão improvisou um belíssimo hino de júbilo (cfr Lc 2, 29-32) – foi um poeta naquele momento – e Ana se tornou a primeira pegadora de Jesus: “falava do menino a quantos esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2, 38).
Queridos avós, queridos idosos, coloquemo-nos nos passos desses anciãos extraordinários! Tornemo-nos também nós um pouco poetas da oração: tomemos gosto por procurar palavras nossas, reapropriemo-nos daquelas que a Palavra de Deus nos ensina. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! A oração dos idosos e dos avós é um dom para a Igreja, é uma riqueza! Uma grande injeção de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que está muito ocupada, muito presa, muito distraída. Alguém deve, então, cantar, também para eles, cantar os sinais de Deus, proclamar os sinais de Deus, rezar por eles! Olhemos para Bento XVI, que escolheu passar na oração e na escuta de Deus a última etapa de sua vida! É belo isso! Um grande crente do século passado, de tradição ortodoxa, Olivier Clément, dizia: “Uma civilização onde não se reza mais é uma civilização onde a velhice não tem mais sentido. E isso é terrível, nós precisamos antes de tudo de idosos que rezam, porque a velhice nos é dada para isso”. Precisamos de idosos que rezam porque a velhice nos é dada justamente para isso. É algo belo a oração dos idosos.
Nós podemos agradecer ao Senhor pelos benefícios recebidos e preencher o vazio da ingratidão que o circunda. Podemos interceder pelas expectativas das novas gerações e dar dignidade à memória e aos sacrifícios daquelas passadas. Nós podemos recordar aos jovens ambiciosos que uma vida sem amor é uma vida árida. Podemos dizer aos jovens amedrontados que a angústia do futuro pode ser vencida. Podemos ensinar aos jovens muito apaixonados por si mesmos que há mais alegria em dar do que em receber. Os avôs e as avós formam o “coro” permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor apoiam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida.
A oração, enfim, purifica incessantemente o coração. O louvor e a súplica a Deus previnem o endurecimento do coração no ressentimento e no egoísmo. Como é ruim o cinismo de um idoso que perdeu o sentido do seu testemunho, despreza os jovens e não comunica a sabedoria de vida! Em vez disso, como é bonito o encorajamento que o idoso consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! É realmente a missão dos avós, a vocação dos idosos. As palavras dos avós têm algo de especial, para os jovens. E eles sabem disso. As palavras que a minha avó me entregou por escrito no dia da minha ordenação sacerdotal as levo ainda comigo, sempre, no breviário e as leio e me faz bem.
Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria transbordante de um novo abraço entre os jovens e os idosos! E isso é o que peço hoje ao Senhor, este abraço!

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 11 de março de 2015