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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ziembinski


   Como um polonês venceu a “gambiarra” no teatro brasileiro

Ao avaliar sua influência no teatro brasileiro, já próximo ao cinqüentenário de carreira, o diretor e ator polonês Zbigniew Ziembinski (1908-1978) não convocou a modéstia. “Eu trouxe a consciência do espetáculo teatral”. Julgava a cena então, nos anos 1940, quando desembarcou no Rio de Janeiro, amadora e improvisada. Mas arriscava uma explicação. “O teatro não é o forte do brasileiro; forte é música popular, poesia, futebol.” Sua contribuição nunca deixou de ser avalizada por críticos de renome como Décio de Almeida Prado, que atentou, em 1951, para a intimidade com a peça a ser dirigida e o personagem a ser interpretado. Aluno do encenador e seu estudioso, Yan Michalski escreveu que com ele o teatro nacional abandonou a gambiarra e a ribalta. Questionava, num necrológio, a postura de mito que talvez escondesse muito do homem. Condição não tão presente no livro Ziembinski – Mestre do Palco, trazido pela Coleção Aplauso.
Na volumosa fotobiografia, acompanhada de textos de admiradores e do próprio homenageado, o ingresso ao universo expressionista que transformaria a cena teatral se dá pelas montagens de Vestido de Noiva, o marco inaugural da nova fase. A primeira versão sobre o texto de Nelson Rodrigues, em 1943, já acolhia de modo pleno o imigrante apenas dois anos depois de sua chegada ao Brasil, à vontade com o grupo Os Comediantes, que conheceu por acaso. As casualidades então se sucediam, segundo o jovem fugido da guerra para os Estados Unidos e que numa etapa da viagem acabou por permanecer no Rio. Suas noções das vanguardas polonesas ajudaram a estreitar  as relações com uma turma disposta a mudar o arcaico conceito de teatro na cidade. Esse desafio de Ziembinski migrou em seguida para o Teatro Popular de Arte, mais tarde Teatro Maria Della Costa, e o Teatro Brasileiro de Comédia, onde dirigiu peças como Amanhã, Se Não Chover.

A essa altura os preceitos ziembinskianos, como a marcação e movimentação dos atores em consonância com a luz e a cenografia, já haviam se estabelecido, o que levou a parcerias constantes, caso do cenógrafo Tomás Santa Rosa. Ainda mais significativo foi seu encontro com Cacilda Becker no TBC, com quem fundaria um grupo. Natural também que, ligado aos italianos do núcleo de Zampari, fosse viver o sonho de um cinema industrial na Vera Cruz. Pelo espírito independente, Ziembinski trafegaria em vários grupos teatrais e testaria uma teledramaturgia iniciante, mas que não soube aproveitar seu tipo irreverente, como  fez o cinema. Suas aulas formariam toda uma geração artística. São facetas lembradas no livro, que traz uma bela passagem do cineasta Domingos de Oliveira sobre o amigo. Ele fala de um tal filme sobre um ator veterano que forja a própria morte para saber se ainda é querido. Arrepende-se, quer voltar atrás, mas não pode mais. Ideia de Ziembinski para um roteiro nunca filmado. – Orlando Margarido .


No palco e na tela
Teledramaturgia:
O Rebu (1974)
Cavalo de Aço (1973)
O Semideus (1973)
O Bofe (1972)
Bandeira 2 (1971)
João Juca Jr. (1969)
A Rainha Louca (1967)
O Rei dos Ciganos (1966)
Eu Compro Esta Mulher (1966)
Principais peças:
Vestido de Noiva (1943)
Pelleas e Melisande (1943)
Anjo Negro (1948)
Nossa Cidade (1949)
Pais e Filhos (1949)
Esquina Perigosa (1949)
Dorotéia (1950)
Pega-fogo (1950)
Amanhã, Se Não Chover (1950)
Paiol Velho (1951)
Divórcio para Três (1953)
Maria Stuart (1955)
O Santo e a Porca (1958)




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