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terça-feira, 30 de março de 2021

Sussurros daqueles que se amam vida afora



-Passaram-se os anos...

-Passaram-se Primaveras...

-Passaram-se Verões,

-Passaram-se Invernos...

E enfim, chegamos ao Outono

De nossas longuíssimas vidas...

Simplesmente,amando_ nos, ao delírio,

Tanto quão nos amávamos no esplendor...

Ou frescor de nossas juventudes distantes...

Isto porque, no detrás desse amor,

Vínhamos cultivando a decisão de nos amar,

Para todo o sempre!

 

RELMendes - 27/03/2021

 

 

terça-feira, 9 de março de 2021

80 anos prestes a chegar 2º

(no dia 13/03/2021)



Segundo fragmento:

-Quem diria que estou prestes a chegar aos 80 anos  Se,por muitas vezes, estive dependurado na taba da berada?  Contar-lhes-ei mais alguns dos porquês dessa admiração: - Na adolescência, parafraseando o poeta amado,Mario Quintana,eu morava em mim mesmo, aliás sempre ,morei em mim mesmo (desde que me entendo por gente) com minhas saudades, meus sonhos,com o apito diário do trem a vapor (da velha MOGIANA) a avisar-me sua partida... ou da sua chegada àquela estação do povoado onde morava(Conquista MG)                (pura melancolia, misericórdia!)

-E, porquanto, o anelo imensurável de mandar-me daquela aldeiota... além de aumentar em mim, desmedidamente, estrebuchava, também, no imo de mim, (em meu Castelo Interior, como diria Sta Teresa D’Avila, a maior escritora da Renascença) a sussurrar-me, insistentemente, aos meus ouvidos : - Rapaz, vá-se embora em busca de teus sonhos, ora! Mas cá pra nós, só a partir de meus 14anos, comecei a dar minhas escapadelas,ás escondidas de meu pai, e sem suas expensas... (Concedidas, raramente, mas sempre com muita ojeriza e sovines  ) 

Então, em segredo, fui embrulhar balinhas numa fabriqueta, pra amealhar uns trocados, a fim de poder picar a mula dali, quando em férias escolares. Enfim, florescia-me em espertezas, a cada viagem que empreendia, sorrateiramente, á época:  - aprendi a pegar carona sem medo, estrada afora;   - fazia cara de cachorro faminto, pra angariar um prato de comida de alguma alma generosa pelas estradas; - assim, fui ao Rio (RJ) muitas vezes, e á Sampa, inúmeras, (casas das titias)... Acredita que eu estava lá em Sampa, quando de seu quarto centenário? Pois tava! 

-Mas só debandaria, mundo afora, definitivamente, após a conclusão do curso cientifico ( como, á época, era chamado o segundo grau.)  Como sempre morei em mim mesmo, tinha por hábito fazer de um tudo  e, ,porquanto,nunca furtei-me - como visita - em ser muito útil e,sobretudo proativo em auxiliar meus hospedeiros:

 - cozinhava;- lavava roupa;- faxinava a casa ou apartamento, e por ai vai... 

-Sabe por quê? Porque tem gente que se hospeda na casa dos outros, e não lava sequer o copo d’água, em  que bebeu! Ora, quando assim nos comportamos na casa dos outros,tenham por certo que passaremos,a partir de então, a ser, em qualquer abrigo, “Personas non gratae”, claro!  Esses que se arranchem lá na casa da puta que os pariu, pô!

-Bom, nesse mundo de hoje, onde a porteira do sexo se escancarou, É mais que óbvio que me questionem acerca de meus amores desse meu então, por demais curioso, que agora estou a narrar-lhes,né não? Claro, tive muito amores! Lembro-me, perfeitamente, do nome de todos eles ainda hoje: - “Marilia”...não a de Dirceu, mas a minha; - “Ana Flávia”,  minha doce sanfoneirinha; e por aí vai...  Gente, pra se roubar um beijinho da namorada, á época, era uma  façanha mais difícil que marcar um gol de placa em decisão de final de copa de futebol entre “Cruzeiro X Atlético”(MG). Mas se conseguia, sim! 

 E quando se obtinha êxito em tamanha façanha, com licença da palavra, a gente ia embora cambaleando de prazer, que nem um pato (ave) após copular com a pata (ave) no terreiro de um quintal qualquer. Já viram isto?  Quando não tínhamos êxito, lá íamos nós pras casas da “luzvermelhas”! Era algo cultural, próprio do machismo da época! Os pais incentivavam-nos a frequentá-las com muita assiduidade... Pois não queriam que seus filhos se“abaitolassem”  ( enviadassem)... e, no mínimo, fossem chamados, na aldeia, de maricas, e outros bullyings corriqueiros da época. Coisa, lamentavelmente, ainda muito em voga hoje em dia! “Eta qui quá!!  Mas sobrevivi!”

 

RELMendes – 14/02/2021

 

 


segunda-feira, 8 de março de 2021

80 anos prestes a chegar 1º

 

(em 13/03/2021)



Fragmento introdutório:

-Quem diria que eu chegaria aos 80 anos

-O que justificaria tanta admiração?

Ora! Porque para tanto: - caminhei pra mais de metros!

- Fiz estripulias e doidices que até Deus duvida!

- Vi coisas lindas, que inebriaram-me a rodo,

E outras, assombrosas, que arrepiaram-me os cabelos...

Até os do meu fiofó, com perdão da palavra!

Oxê, nem lhes conto que, por diversas vezes, estive

Dependurado na taba da beirada, viu?!

Mas sobrevivi!

 

-Quem diria que eu chegaria aos 80 anos

Se, por diversas vezes, estive dependurado na taba da beirada?!

Contar-lhes-ei alguns dos porquês dessa minha admiração:

Se, a pés em chão, busquei – na marra - alfabetizar meus sonhos.

(Enfim, os tempos eram outros, mentes curtas, pra chuchu, ou não?!)

Alfabetizei-os – os sonhos – pena que não do meu jeito, mas sob o

Julgo dos estereótipos arraigados, sem termo, á época, nas prepotentes

Mentes machistas dos de então. Penso que desconheciam a palavra  Diálogo vez que julgavam-se sabedores de tudo que era bom ou ruim,  Quer pra suas fêmeas, desempoderadas, quanto pra seus filhos, Totalmente, dependentes deles!

 

-Vide só o que fizeram comigo, em relação a isso dito acima:

- Quem disse a quem, que eu queria deixar o meu Ceará, Quem disse?

Se o que eu queria mesmo era ficar na “baixa da égua” ( praia do Mucuripe) a catar mariscos, pegar siris e alguns caranguejos, quiçá,  Capturar uns baitas camarões saborosíssimos, sentir a maresia a Passear em meu  corpo, franzino,e salgar-me em suas águas cálidas,  Não tão límpidas, nem, tampouco, verdes, quanto às das demais praias Que circundam o belo litoral do meu Ceará... Ora!

 

-Mas, inesperadamente, sem consultar-me - vez que, á época, criança  Não opinava em nada - abduziram-me do meu belíssimo torrão natal (a bela Fortaleza) e, sem mais, nem menos, levaram-me para uma Cidadezinha Qualquer do Triângulo Mineiro... (tem cabimento isso? Pena que o “ECA” estava longe de existir, ara!)

Ora, mas cá n’alma, fi-lo (assim teria dito Janio Quadros) como diria  Nossa amada “Cora Coralina”: - “removi pedras”, - “plantei roseiras”,  Engoli almeirão (margoso, viu?), - senti uma saudade da molesta do  Meu Ceará, mas sempre, sem titubear, constantemente, fingia-me de Moco pra não sucumbir jamais, ás muitas agruras diárias!

Mas sobrevivi!

 

RELMendes – 13/02/2021

 


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Pequi, norte mineiro, a delícia do Sertão!

 





-Pequi, Norte Mineiro?

-Ah! Este é o pequi saboroso!

-Este é o ouro do nosso Sertão!

Pois, ele dá sustança/ à beça/

Ao véio sertanejo/ matreiro/

E firma a criançada /robusta/

Neste agreste chão deste Sertão!

 

-Êta/ trem gostoso!

-Êta/ trem bão, sô!

 

-Há quem diga que ele, o pequi, é cheiroso/

(por demais da conta)

Outros, que ele fede, afirmam/ à língua solta/

Mas/na verdade/ quer cheirando ou fedendo/

Da catinga cheirosa desse fruto dourado/

(do cerrado)

Ninguém daqui /deste rincão/dele abre mão!

 

-Êta/ trem gostoso!

-Êta/ trem bão, sô!

 

-Oia só aqui, minha gente batuta:

-Pequi é um fruto /muito intrometido/

Pois, se mete em qualquer lugar...

Se encontra /aos baldes/ nas festas da elite/

E num falta jamais/nas festanças populares!

 

-Eta, trem gostoso!

-Eta, trem bão, sô!

 

-De quando de sua safra /deveras abundante/

Já bem cedinho...logo ao alvorecer rasgar os céus/

Nas panelas/ sobre o borralho/logo se começa

A cozinhá-los/ aos montes/ pra se roer à vontade!

Ai/ então/ o fuxico do cheiro do pequi/ ou de sua catinga/

Exala...por todos os cantos da cidade:- Telhados...

Ruas... Praças... Calçadas etc & tal

Enfim...por onde quer que se ande/a vadiar/

Ou aonde quer que se vá a qualquer hora do dia/

Ou mesmo da noite/ em festança!

 

-Eta/ trem gostoso!

-Eta/ trem bão sô!

 

-Lá por volta das dez horas /grita alguém de algum lugar:

- Já tá pronto “o arroz com pequi e carne de sol”/ gente!

Uai/ já?! Entreolhando-se/ boquiabertos de alegria/

Todos/ inclusive os convivas costumeiros/aplaudiram

Contentíssimos ,o tão esperado aviso vez que já

Estavam famintos, á beça!

Então,imediatamente, véios e véias (homis e muiés)

A moçada toda, e toda a criançada (da redondeza )

Se alvoroçaram de, incontrolável, gulodice.

Prato feito em mãos, começaram, sem hesitar,

A farta degustação, tão esperada por horas...

Do saboroso “arroz de pequi com carne de sol”,

E “feijão tropeiro, á moda mineira”, é claro!

 

-Eta, trem gostoso!

-Eta, trem bão sô!

 

-Consumada, por fim, a comilança (desvairada)

Entreolham-se com ar de grande satisfação...

E num coro uníssono, aos berros, proclamam

Sua paixão imensurável, pelo ouro do Sertão:

 

-Eta/ trem gostoso sô!

-Eta/ trem bão/ meu Deus!

 

RELMendes  23/11/2011

 


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Apenas algumas sugestas minhas, viu?

 



-Amanheceu, aporrinhadíssimo...

melancólico ou, quiçá, até mesmo

mau humoradíssimo?

-Pois DESOBEDEÇA_ SE!


-Salte da cama...depressa,ou aligeiradamente:

_ Agradeça aos Céus por ainda estar vivo...

-Arregace logo, um largo sorriso...

(de canto a outro da sua boca, bisbilhoteiríssima)

á vida, e a todos que o/ a/ rodeiam...por algum motivo.

-Mande a aporrinhação á “Tonga da Mironga do Caburetê"...

ou coisa similar, que lhe vier á sua caçoleta...estrambelhada.

-Banhe-se cantando um samba de fundo de quintal, de preferência,

Ou, quiçá, uma catira sincopada vez que bem sapateada...

-Passa um bom suvacol...embaixo das asas ou axilas,

pra num empestear o mundo com sua catinga de saruê acuado...

-Enfatiote-se de felicidade...mesmo que ela esteja alhures, neste então.

-Tranque a porta do seu barraco, e sem hesitar, pica a mula pra rua...

 sem pensar duas vezes. Sabe por quê?

Porque na rua tem vida a rolar. Sem economias... Ora!

 

RELMendes – 30/09/2010


sábado, 29 de agosto de 2020

As surpresas de Deus

(Bem à maneira dos Franciscos!)


-Se,  de minh` alma impertinente...

Sou condutor de sua autonomia,

Tento, sutilmente ...retê-la, mas,

Sem contudo acuá-la (afrontosamente)

Porque ela não se verga...   jamais!

Pois, minh`alma impertinente:

- Quer!... Deseja!... e Anela:

_ Amar a tudo, e a todas as criaturas...

( viventes)

-Bem à maneira dos Franciscos,

A quem tanto amamos!...

 

-Minh`alma, impertinente:

- Quer!... Deseja!... e Anela:

_ Envolver – se,  e envolver

Todas as criaturas no Amor,

Que não as embaraça em mágoas ,

nem tampouco,em rancores,inúteis,

Nem sufoca, jamais, o desabrochar

da fraternidade que desperta homens,

E embala “sonhos de crianças”...

-Bem à maneira dos Franciscos,

A quem tanto amamos!...

 

-Minh`alma,  impertinente:

_ Quer!... Deseja!... e Anela:

- Respeitar a individualidade das criaturas,

viventes, e suas diferenças muitas...

Que tanto enfeitam o buquê da vida,

nesse belo jardim... que é a  nossa Terra!...

-Bem à maneira dos Franciscos,

A quem tanto amamos!...

 

-Por fim, minha`alma impertinente:

- Quer!... Deseja!... e Anela:

_ Ser nós,com todas as criaturas...(viventes)

Para poder embrenhar-se...

Nas frestas transcendentais...

Das muitas "surpresas de Deus"...

-Bem à maneira dos Franciscos,

A quem tanto amamos!...

 

Montes Claros, 25-08-2013

RELMendes

domingo, 14 de junho de 2020

A Flor- Angélica do Sertão Montes-clarense


(Mimo a Madre Maria Angélica da Eucaristia ocd

Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI)
(IN MEMORIA)
(Um belo exemplo de Fé!)



-Delicadamente...convido-lhes, agora, a trilhar comigo
Pelos caminhos de minha eterna gratidão á essa amada
“Flor-Angélica do Sertão Montes-clarense”.
Então, não posterguemos mais. Vamos lá ver...agora,
O que tanto tenho, em versos, sobre ela, a dizer-lhes:

-Mas donde será mesmo, que a nós nos veio...
A amada “Flor-Angélica-Sertaneja”...
Esse ser humano...tão luminoso,
Tão profundamente feminino...
Tão sabiamente acolhedor...
Tão imensuravelmente maternal...
E tão aparentemente frágil...quase-etéreo,
Que...inebriado de “Divinal Amor”...
Sempre a todos encantava e iluminava
Com seu suave sorriso...discreto,
E seu maternal olhar tão acolhedor?

- Bom! Se verdadeiramente assim o é, e o é...mesmo!
Então, revelar-lhes-ei...em prosa e versos,também,
Outros tantos ternos detalhes, maravilhosos,
Do semblante espiritual...ou quase angelical,
Dessa santa mulher, totalmente de DEUS!

-Mas insisto, sem hesitar, em perguntar novamente:
- Donde será mesmo que veio, para conosco conviver
Esse Anjo-mulher-sertaneja...tão fértil...
Espiritualmente, pois tão sábia das coisas de Deus...
E de tão límpida transparência...espiritual e moral,
Que a todos nós cativou...à beça, de imediato,
Logo em que, por aqui chegou, nesse Sertão
Com suas santas companheiras de comunidade,
Para a fundação de um Carmelo aqui
Em nossa Montes Claros (MG)...
Naquele já tão distante dia da chegada delas
Em que até o belo crepúsculo /sertanejo/
Com ela e suas companheiras/se deslumbrou/
Naquele entardecer feliz e inesquecível?

-Ah! Se por ventura, há aqui alguém...
Dentre nós...que saiba de onde ela veio,
E aonde tão bem se esconde...agora,
Essa bendita dádiva tão celestial...pra nós/
Por favor, que se apresse em nos revelar,
I-M-E-D-I-A-T-A-M-E-N-T-E!
(Quiçá, de Grão Mogol/MG!)
-Pois, se de pronto...ao chegar aqui no sertão,
Esse amado Anjo carmelitano...logo se aninhou
Em nossos acolhedores corações, sertanejos,
Também de pronto, desejamos saber logo
Donde ele, esse Anjo de carmelita, veio,
Onde pousou...e, aonde...verdadeiramente,
Montou, entre nós, sua tenda de ternura...
Bondade e imenso Amor?!

-Ah, mas quem será mesmo... “Flor-Angélica-Sertaneja”,
Essa tão amada flor celestial, desse sertão sofrido...
E, em que jardim, ela mesma se plantou jubilosa
Para mais, oportunamente, nos sombrear...à beça,
Com as divinas “surpresas de Deus”?

-Bom!... Há quem diga que ela veio...
Das entranhas das surpresas de “DEUS”;
Outros afirmam...veementemente,sem hesitar,
Que ela procede do “Coração Misericordioso de Jesus”;
E outros ainda, falam que veio diretamente do “Céu”...
Para nos consolar e nos conduzir rumo à “Casa do Pai”!...

-Entretanto...verdadeiramente, há que se dizer:
- Que, quer por isso...ou por aquil’outro...
“Flor-Angélica-Sertaneja” veio para o meio de nós,
(E ficou conosco até sua partida aos Céus! )
A fim de que...com suas constantes orações piedosas,
Deus não nos permitisse jamais, enveredarmo-nos
Pelas sinuosíssimas trilhas da perdição, durante esse
Nosso tão brevíssimo caminhar terreno...

-E quanto, por aqui, nessas plagas distantes,
Aonde terá se plantado, enfim,
Essa tão amada “Flor-Angélica-Sertaneja”?

-Ora! Digamos que ela mesma...
“Flor-Angélica do Sertão Montes-clarense”....
Plantou-se, espontaneamente,nos sagrados jardins
Do “Carmelo de Teresa”...
Para perfumá-los ainda mais de amor...
A fim de inebriar...de felicidade e alegria,
A seu “Amado Esposo, o Senhor Jesus”...
Que sempre vem por ali, repousar...
No apaixonado coração de sua amada Flor:
- ir Maria Angélica da Eucaristia!

RELMendes - Montes Claros (MG), 07/05/2014